quinta-feira, 7 de maio de 2009

Histórinha


Histórinha.

Ela estava cansada de viver assim, e pediu um doze de conhaque pra aquecer o corpo e esquecer o que sabe, sobre a bosta da vida.
Sentia-se sozinha, sempre que lhe tratavam desta maneira. Parecia que não era nada, não era ninguém. Quem gosta de se sentir assim.
E tudo que simplesmente quis, desde o inicio, era ser uma ponte entre as pessoas e o bem estar que as espera. Mas ninguém pode ser assim, diante da bosta da vida.
Seu corpo agora já não é mais tão agradável como antes, isso lhe tira as possibilidade de alguns míseros reais, sua cara preta não é a mais bela imagem que se via outrora no espelho. Se sente puta, puta com esses imundos que a trata dessa forma tão animosa.
As ruas não estão mais abrigando de forma carinhosa, o vento não sopra os cabelos de forma elegante, o banho não limpa a alma. Então chora, chora por que está cansada disso tudo, nunca quis isso, e com o choro vem a auto agressão, seus pulsos mais próximos são suas próximas vítimas. E de quem é a culpa?
Ela queria dizer eu te amo, mas lhe falta amor pra isso.
Ela queria dizer que está tudo bem, mas nem bem pode abrir a boca e já se calou.
Ela queria poder fingir, mas ela sempre tem a si mesma como carrasca.
Ela tem um corpo pouco.
Ela tem um sorriso distante.
Ela tem fome.
Seus olhos são tão tristes, que nem mesmo sei como ela ainda possui um sorriso qualquer.
Ela quis dizer bom dia, mais o dia não estava bom.
Ela tentou dizer o que sentia, mas ninguém sentiu vontade em ouvir.
Ela buscou ser melhor, mas tudo o que queriam dela ela não podia dar.
Sua vida, seus sonhos, seu intimo, sua fé, ainda que pouca.

E tudo ficou mais difícil quando ela descobriu que toda essa bosta não passa de uma descoberta mascarada do mundo moderno longe de um mar-adentro.
E ninguém quer saber como ela se sente.
Como eu me sinto.
E fingem ter pena dela, nem isso conseguem de fato sentir.
Ela buscou saber como é à noite enquanto o mundo dorme. Violentaram-na.
E ela sentiu gosto naquilo, pois um corpo que há anos não recebia um toque, pode aumenos sentir prazer e dor.
Algum tempo depois ela não estava mais sozinha, alguém saiu daquele corpo seco para viver ao seu lado. E a pena que tentaram sentir, agora seria útil, pois é uma pena não suportar a dor da chegada de um novo alguém e morrer diante do primeiro olhar do dia, e ainda é uma pena ver essa vida nova, se acaba como nesta bosta da vida porque ninguém se importou com ela. Ela estava sozinha e nenhum dos dois suportou descobri o mundo real. Então melhor foi ter sido assim.
Morreu, morreu tarde!?
Como pode, mesmo com tudo isso contra, chegar a esses dias de pé. Agora não mais.
Ela fazia o tipo bom coração, e isso foi seu mal.
Ela perdeu o controle e não teve ninguém com que pudesse contar.
Já chega, agora está consumado
Nunca teve amigos.
Nunca foi falsa.
Nunca duvidou das pessoas, mas sempre esteve ameaçada por elas.
Nunca pode dizer o que sentia, o que pensava, estava sempre sem voz, de tanto gritar por socorro.
Ela não teve medo de viver, mesmo que despercebida.
E quando a noite cai, ainda se ouve os seus dizeres em baixo tom, como se fosse maluca falando a si mesma “Eu só queria ter alguém com quem conversar. Dizer bom dia,boa tarde, boa noite, até logo”.
Morreu de desgosto, de dor que não física.
Morreu ao lado de seu novo alguém que acabará de sair de dentro de seu humilde e pequeno corpo.
Assim foi os últimos dias da vida de Sophia, 17.

por Crônica Mendes

Um comentário:

Crônica Mendes disse...

Um dos meus favoritos. Em cheque, a questão da solidão, do descaso, dos mal tratos diretos e inderetos. Pense, um suicídio nem sempre é a morte da matéria, mas também pode ser quando se é conivente com a arrogância desse mundo.

Pense!