quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Não pode ser


Não pode ser

A poesia
O verso
A prosa.

O poema
aberta
A porta.

A crônica
irônica
sinfônica

O sonho
De
quem somos

E
aonde
vamos.

A fé
No que
se é.

O medo.
O apelo
O desejo.

Tudo continua...
Ecoar
A poesia
ecoa
O poema em nós
E a fé,
A fé é uma crônica interminável.
Sem cura
E sem culpa alguma
Quando você não consegue entender.
E a culpa,
A culpa
não
É tua.

por Crônica Mendes

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Um dia


Um dia

Era um dia perfeito, como ontem,
Mas somente hoje percebi.
Era como antigamente,
Mas infelizmente não pude seguir.
Um dia se foi,
E agora,
Pra onde vamos?
Talvez amanhã ele volte,
Mas de manhã não pode ser,
Pois tudo começa realmente ao anoitecer.
O que á para clarear senão o dia
O que o dia clareia senão à noite...
Era um dia comum,
Mas ninguém notou sua beleza.
Inconveniente, pensei em dizer,
Mas como só pensei, não disse.
Os relógios tentaram anunciar a chegada,
O sono tentou esconder,
A preguiça fingiu não ser nada importante,
E o corpo cedeu a besteira de talvez parecer.
O dia passou,
Um talvez ficou.
Talvez volte
Talvez aconteça novamente
Talvez outro venha...
Mas é tudo um talvez.
Vazio.
Era uma vez um dia comum,
Um dia perfeito,
Mas como é de pequenos detalhes,
Ninguém notou sua importância.
Se foi,
Foi-se seguindo os ponteiros,
Os trilhos do metro, a canção na hora do almoço.
A fadiga logo em seguida,
O cansaço após a faxina,
Os carros, caminhões, ônibus.
Todos num balé fumaçante num vai e vem.
No passo a passo seguindo pessoas,
Se foi como um qualquer,
Mas era um dia perfeito,
Pena que ninguém notou.

por Crônica Mendes

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Historinha


Historinha.

Ela estava cansada de viver assim, e pediu uma dose de conhaque pra aquecer o corpo e esquecer o que sabe, sobre a bosta da vida.
Sentia-se sozinha, sempre que lhe tratavam desta maneira. Parecia que não era nada, não era ninguém. Quem gosta de se sentir assim.
E tudo que simplesmente quis, desde o ínicio, era ser uma ponte entre as pessoas e o bem estar que as espera. Mas ninguém pode ser assim, diante da bosta da vida.
Seu corpo agora já não é mais tão agradável como antes, isso lhe tira as possibilidade de alguns míseros reais, sua cara preta não é a mais bela imagem que se via outrora no espelho. Se sente puta, puta com esses imundos que a trata dessa forma tão animosa.
As ruas não estão mais abrigando de forma carinhosa, o vento não sopra os cabelos de forma elegante, o banho não limpa a alma. Então chora, chora por que está cansada disso tudo, nunca quis isso, e com o choro vem a auto agressão, seus pulsos mais próximos são suas próximas vítimas. E de quem é a culpa?
Ela queria dizer eu te amo, mas lhe falta amor pra isso.
Ela queria dizer que está tudo bem, mas nem bem pode abrir a boca e já se calou.
Ela queria poder fingir, mas ela sempre tem a si mesma como carrasca.
Ela tem um corpo pouco.
Ela tem um sorriso distante.
Ela tem fome.
Seus olhos são tão tristes, que nem mesmo sei como ela ainda possui um sorriso qualquer.
Ela quis dizer bom dia, mais o dia não estava bom.
Ela tentou dizer o que sentia, mas ninguém sentiu vontade em ouvir.
Ela buscou ser melhor, mas tudo o que queriam dela ela não podia dar.
Sua vida, seus sonhos, seu intimo, sua fé, ainda que pouca.

E tudo ficou mais difícil quando ela descobriu que toda essa bosta não passa de uma descoberta mascarada do mundo moderno longe de um mar-adentro.
E ninguém quer saber como ela se sente.
Como eu me sinto.
E fingem ter pena dela, nem isso conseguem de fato sentir.
Ela buscou saber como é à noite enquanto o mundo dorme. Violentaram-na.
E ela sentiu gosto naquilo, pois um corpo que há anos não recebia um toque, pode aumenos sentir prazer e dor.
Algum tempo depois ela não estava mais sozinha, alguém saiu daquele corpo seco para viver ao seu lado. E a pena que tentaram sentir, agora seria útil, pois é uma pena não suportar a dor da chegada de um novo alguém e morrer diante do primeiro olhar do dia, e ainda é uma pena ver essa vida nova, se acaba como nesta bosta da vida porque ninguém se importou com ela. Ela estava sozinha e nenhum dos dois suportou descobri o mundo real. Então melhor foi ter sido assim.
Morreu, morreu tarde!?
Como pode, mesmo com tudo isso contra, chegar a esses dias de pé. Agora não mais.
Ela fazia o tipo bom coração, e isso foi seu mal.
Ela perdeu o controle e não teve ninguém com que pudesse contar.
Já chega, agora está consumado
Nunca teve amigos.
Nunca foi falsa.
Nunca duvidou das pessoas, mas sempre esteve ameaçada por elas.
Nunca pode dizer o que sentia, o que pensava, estava sempre sem voz, de tanto gritar por socorro.
Ela não teve medo de viver, mesmo que despercebida.
E quando a noite cai, ainda se ouve os seus dizeres em baixo tom, como se fosse maluca falando a si mesma “Eu só queria ter alguém com quem conversar. Dizer bom dia, boa tarde, boa noite, até logo”.
Morreu de desgosto, de dor que não física.
Morreu ao lado de seu novo alguém que acabará de sair de dentro de seu humilde e pequeno corpo.
Assim foi os últimos dias da vida de Sophia, 17.

por Crônica Mendes

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A educação que vem das ruas


A educação que vem das ruas

Infelizmente a educação varia de acordo com a classe social.
Se você tem dinheiro tem uma boa educação se não te dinheiro,
então você não faz parte do quadro educacional.
Teoricamente é isso!
Vejamos na pratica uma outra realidade.
Nem sempre o dinheiro é sinonimo de uma educação exemplar.
Nas favelas e nas periferias de todo Brasil
se formam grandes homens e mulheres com potencial psicológico e intelectual de auto nível. A grande magia é a educação que vem dos pais, das escolas que com um salário cujo o nome já diz tudo “mínimo”, ainda sim fornecem uma educação necessária e complementar na formação da juventude de hoje, homens e mulheres do amanhã. E também uma educação por parte das ruas, que tem seus autos e baixos mais que é preciso tirar nota dez e não nove e meio.
Analisando os dias atuais se referindo a educação, temos bons nomes que longe do dinheiro contribuem para a educação atual, tais como: Milton Santos, Sérgio Vaz e Paulo Freire. Temos ainda a chamada “A educação que vem das ruas”, seja ela expressada como música, dança, pinturas, emfim a educação expressada pela arte.
Sabemos que é preciso o incentivo a leitura, mas antes é preciso fornecer bons livros.
A juventude hoje tem sua própria linguagem, seus líderes e não heróis. Na arte do rap essa linguagem fica mais visível, mais expressiva. Rapistas com microfones nas mãos e com discurso informativo estão se tornando líderes. É preciso que haja aí um compromisso com a educação.
A juventude de hoje busca exemplos a serem seguidos na tele-visão e na música, mais apenas um desses veículos fornece aquilo que ela realmente necessita. A disputa por quem educará nossos filhos é ainda mais acirrada, serão nossos filhos educados pela xuxa a rainha dos baixinhos, ou pelo rap a música dos excluídos?

Rapistas não são hérois, muitos deles precisam ser educados também.

A educação hoje se faz da busca por ser educado. Ninguém educa ninguém, você é o culpado pela sua própria educação. A busca pelo conhecimento é que faz a diferença. O fato de dizer “eu sou favela” não significa que você não pode ser uma pessoa com um conhecimento. Ser favela não significa ser menor do que ninguém, significa ter orgulho de você, significa querer o melhor para você e para as pessoas que tem uma história semelhante a sua.
A educação transforma mentes amordaçadas em leões formadores de opinião, é preciso buscar o conhecimento, seja ele numa música ou num livro, o importante é que seja um conhecimento com conteúdo, porque a banalidade esta longe de ser um neurônio útil para a formação e uma pessoa culta.
É preciso saber que com uma educação básica seremos básicos, mas com uma educação forte seremos fortes.
Essa é a educação que vem das ruas,
mas as ruas também precisam ser educadas.

A estrada é longa!

por: Crônica Mendes

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Longe



Minha Palavra:
Sou fã de Arnaldo Antunes - Toda admiração e respeito como pessoa, como artista, como ser humano que é. Mesmo que as vezes pareça ser de outro planeta, mas e dai, as vezes sinto que sou também.

por Crônica Mendes

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

00:01

00:01
Como vai você?
A está hora essa é a minha melhor maneira de iniciar você.
O tempo que hoje se faz longe de mim,
É o mesmo que me perturba nas madrugadas longe de você.
Longe, há tempos.
Minha forma mais sincera de dizer o que tanto sombreia em nós,
É simplesmente o encontro d`Alma semelhantes,
Perfeitas em corpos imperfeitos.

00:01

Onde está você agora?
Com quem estarás,
Não me faço perguntas,
Mas as perguntas me fazem lembrar.
De um tempo ruim que nos encontrou
E se fez tempo bom.

Meu medo
Sob teus olhos pequenos a enxergar um mundo imenso
Ao meu redor.
Seu medo,
A entrega proibida a quem não se explica o encanto que lhe domina.
Sem receio.

O quase foi à prévia do não.
O querer foi o verbo que conjugou toda a sensação.
Impossível?
Mas eu estava ali,
E você,
Onde você estava o tempo todo.

Meus olhos negros a te vigiar...
Quando a noite cai,
Os desejos se levantam.
Estou sóbrio, sem álcool, sem solidão...
Não temas minhas palavras
se por ti só tenho sentimentos.
Não sintas nada por mim, que não seja intenso.
Faça o que for,
Ó noite por que estás tão fria
Negando-me teu calor.

por Crônica Mendes

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Poesia escondida


A Poesia escondida

Dentro de um vaso,
Pouco vigiado.
Sujo impotente,
Jogado de lado.
Dentro de um só,
A que muitos nem ligam.
Desleixados.

Trancada a sete chaves,
Pra quê?
Se o que todo mundo quer está do lado de fora.
Perdida dentro do vaso de barro.
Grita, mas não é ouvida.
Tímida, mas não se intimida.
Grita novamente.
Alguém escuta aquele som,
De onde vêm, quem será,
Quem?

Dentro do vaso,
O escuro é o que mais esconde os vestígios.
Longe da luz, não tem definição de cor
O lugar onde se encontra é aqui dentro,
Dentro do vaso solto pelas águas.
De lar em lar, vila em vila,
Sol sem sol,
A sós.
Procria.

Escondida, não procurada.
Encantada, negada.
Livre, não some, mas assume o que faz.
Longa, como a vida, como os dias,
Dita em poucas palavras,
Dias atrás.
Ao vento, a lua, as pessoas.
Escuta, escuta.
Não me cale a boca.
Tampouco meu coração
Ora pedido de desculpas,
Noutras lamentos,
Em plena solidão

Escondida, nunca pedida...
Transborda recuperação
A quem quiser, que vem ser vista.
Mas num deixa teu dia,
Tua vida, escondida
Dentro do vaso em teu peito.
Ponha pra fora teus verbos,
Teus sujeitos,
Não há adjetivo que esconda
O futuro perfeito,
E o mérito num pretérito mais que perfeito,
É o vocabulário mais dito entre os imperfeitos poéticos errantes.

Dentro de um vaso,
Visto todos os dias,
Antes, pouco visitado.
Lá, estava eu e a minha poesia escondida
Num Vaso de alabastro.

por Crônica Mendes

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Receita

Receita

Quando estamos em paz somos mais egoístas,
A santa ceia da felicidade instantânea,
Sentada à mesa, hipócrita e fingida.
Do que vale ser feliz sozinho,
Se alguém consegue isso,
Diga-me como fazer,
Para que eu possa
Passar a resposta
Em coletivo
Vivo
.

por Crônica Mendes

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Carruagem


Carruagem

Cavalos marcham pisoteiam,
E usam fardas.
Atiram, cospem, massacram,
E matam.
O som de suas ações desconcertantes,
Ecoam ao pé do ouvido,
De famílias que poderiam ser muito bem a minha ou a tua.
Por isso,
Não te cales.
Não te cruza os braços.
Não pense que essa luta não é tua,
Pois o teu quintal pode ser um campo de guerra,
Abra os teus olhos.
Por que será que o povo paga pela calada da noite,
Os disparos disparados contra nosso corpo,
Derrubam uns,
Ferem outros,
Indignam outros mais.
Até quando?
Até pagaremos pela falta de conduta do governo?
Eles não ligam pra "nóis"
Mas ano quem tem eleição,
pense.
Manifestem-se, sociedade, manifestem-se.
Cavalos assalariados, desonrados em tuas casas em teu sujo trabalho
No cumprimento de teu dever de matar.
Nem mesmo Deus mata,
Quem é você cavalo de farda pra matar.
O descarrego de seu ódio sobre gente nossa,
Gente feliz que te gera inveja.
Gente que você sentia raiva delas,
Só por que não nos ajoelhamos diante da sua suja lei,
Gente nossa que não se entrega as dificuldades do dia-a-dia.
Mesmo diante de todo ódio contra nós, ainda temos fôlego e um sorriso na cara,
Isso é o que te irrita.
Nossa felicidade é o que te irrita.
Não me diga que sua ação contra nós é por que você ganha mal,
Se isso for motivo pra tanta injustiça,
Imagine se nós que sobrevivemos com o mínimo do mínimo adotasse o teu comportamento.
Imagine!
Baixo salário não define teu caráter para com teu próximo.
E nisso, segue a lista... “Quem de nós será o teu próximo?”
Heliópolis,
Favela do Querosene,
Vila Zumbi (Sumaré interior paulista),
Eldorado dos Carajás,
As periferias Baianas,
Brasil...
Qual o próximo da lista?
Nenhum minuto de silêncio e toda uma vida de luta,
Cavalos homens,
Vocês não são pra sempre.

por Crônica Mendes