
De quem São Paulo?
São Paulo
São tantos Paulos
Poucos assentados
Paulos,
Pego no pulo
Prisão de São João.
Ou Bernardes.
São tantos quantos
Antes,
O momento da colheita
Na espreita
Da periferia de peito aberto
Cabelos brancos
Estômagos aos roncos
São Paulo,
Minha periferia moderna
A menina dos olhos do senhor Brasil.
O gigante de ferro e concreto,
Onde estórias de amor nascem em meio
Ao deserto, cinza e frio.
A cidade terra da garoa
Alagada nos quatro cantos
Comemorando seus anos
E os urubus sobrevoam a carcaça que a chuva deixou pelas ruas.
Antes ali havia vida,
mas agora é tempo de lágrimas.
Crônica Mendes
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