quarta-feira, 31 de março de 2010

Crônica Mendes em Brasília



Salve Geral.

Já estou em Brasília, aqui também me sinto em casa.
Vou passar o feriado do lado de cá, aproveitando para rever amigos, matar a saudade, socializar idéias e aprender um pouco...

Logo mais, depois, depois... volto para cidade cinza, meu lar doce lar

por Crônica Mendes

Educação

Educação

Quando somos somente irmãos, pai ou mãe, e esquecemos de ser amigos de nossos filhos ou amigos de nossos irmãos, estabelecemos ae uma distância de se ter um diálogo livre.

por Crônica Mendes

terça-feira, 30 de março de 2010

O resgate de Augusto


O resgate de Augusto

Estava tudo preparado para o resgate de Augusto.
Toda a operação fora organizada pelo João do Riso, um palhaço atrevido que vivia da rebeldia da alegria.

A turma, ou melhor, a trupe era composta por fora da lei. Tinha a senhorita gargalhada, condenada outrora ao silêncio no presídio da solidão máxima, que ficava no “interior”. Hoje fugitiva, jura que nunca deixou de ser séria, mas que ironia...
Na linha de frente, aquela gente, não um batalhão e sim um bloco da alegria, procurado por viciar as pessoas contagiando-as uma por uma, até sua dependência.
Até morrer de rir...

Que engraçado!

O plano se resumia no seguinte: passar por cima da ponte depressão, burlar a barricada caótica, que ficava entre as ruas Sem Graça e a Mórbida. Entrar no beco das piadas, sem deixar para trás o bom senso, e mantendo o contato a todo momento com o bom-humor. Na descida da ladeira, com elegância e sem baixar a cabeça, passar direto pela frustração, sem zombar do desgosto. Logo adiante, se o telefone tocar, não atenda, não ligue para o mal-humor.

De frente com a solidão máxima, João do Riso convoca a alegria e a gargalhada anuncia nos megafones a liberdade de Augusto, dando fuga da tristeza e embarcando rumo ao bem estar, rindo para a vida, como o arco Iris sorrindo no céu.

Que felicidade crônica!

por Crônica Mendes

Obs: Esse meu poema é uma atrevida continuação ao poema Jornal da Amargura - Sérgio Vaz (clique no nome do poema e leia-o)

domingo, 28 de março de 2010

Menina Periferia


Menina Periferia

Eu quis ter uma vida,
Nasci.
Quis uma família
bença mãe.
Quis assistir ao por do sol
Sai de casa a pé.
Busquei chegar até aqui
Agora anseio por seguir em frente,
Até onde os olhos podem ir.
E quando eu chegar lá, enxergarei mais adiante.
Eu quis jogar futebol,
Driblei todos os desafios.
Quis sentir o gosto de um beijo,
Não da traição.
Descobri o mundo e as pessoas como elas são.
Eu quis entender melhor cada uma delas
Descobrir inimizades.
Quis fazer uma canção pra viver mais,
Fiz por amor.
Quis ter uma sandália nova, um relógio literalmente da hora,
Um vestido branco, um calça, saia, tudo a meu estilo.
Descobri a necessidade de preencher os olhos dos outros.
Pra mim, estou bem como estou,
Para os outros eu deviria ter morrido no parto.
Mas a partir daí, descobri que minha vida.
É muito maior que os problemas que ela me envolve.
Nesse lugar que eu amo chamado Periferia,
é onde meu mundo nasce todo santo dia.

por Crônica Mendes

Odeio heroína e heróis


Odeio heroína e heróis

Não assistimos, por que a vida real não esta nas telas.
Mas infelizmente seguimos presenciando os corpos nossos de cada dia,
caírem por terra, tombarem em cada esquina, praça, sela, becos e vielas.
Doe, indigna, assusta...
Temos tantos heróis e nenhum é nosso de fato,
Mas quem precisa de herói em um mundo tão real,
Onde a barbárie aniquila e ainda anuncia que vai ser o próximo.
Sou puto e fico mais puto ainda com os discursos em palcos e ausência de prática,
Estão usando a favela, estão usando nossa juventude.
E o pior é que são daqui.
Quem é o inimigo?
Quem é você?
A cor ainda rege quem nasce e marca quem deve morrer,
Antes mesmo do tempo.
Quem são esses que se auto-denominam portadores da voz daqueles que não tem voz,
Quem são esses?
Quem foi que disse quem não temos voz,
Meu mundo é meu,
Ninguém é meu dono.
Estamos gritando nas ruas, estamos morrendo nas ruas, estamos nos matando e seguimos dizendo que somos favela até o fim,
E o fim pra muitos está vindo cedo.
Já passou da hora de acordarmos,
Não precisamos de heróis, tampouco de heroína,
Precisamos de nós mesmo,
Coletivizando nossa luta.
Cabeça erguida sempre!
Acredite.

por Crônica Mendes.

Inspirado nos textos Negrocídio de Maca, Meu luto é minha luta de Ana Clara e no texto escrito por Gog à Ana Clara. Confiram todos estes, no blog de Sérgio Vaz: www.colecionadordepedras.blogspot.com

sábado, 27 de março de 2010

Uma noite inesquecível


Ontem, 26, aconteceu o lançamento do clipe Faça Por Amor - "A Família", na Ação Educativa. Em uma bela parceria com nosso amigo Alessandro Buzo. Exploramos o evento Suburbano no Centro, mas a causa foi justa. Foi uma noite inesquecível de fato, tinha muita gente do Hip Hop, da literatura, arte educadores, músicos de varias vertentes, militantes do MST... "Essa gente nossa espalhada pelo mundo..." Ontem estávamos juntos, e vamos levar isso no coração por toda caminhada.

Obrigado a tod@s que fizeram da noite de ontem, uma noite INESQUECÍVEL!

Já estou com saudades, por isso, precisamos estar juntos mais vezes, é tão bom.

OBS: Cliquem na foto acima e confira outras foto e a notícia oficial em nosso site.

por Crônica Mendes

Aos 48 não deu tempo



Não to bem.

Mas quando tudo passar

Estarei melhor.

Por enquanto

Não me olhe,
como se eu fosse um doente.

Mas obrigado por pensar em mim.
Me falam de um lugar, onde o amor esta no ar, não na moda...

Mas onde fica, ninguém sabe dizer,

ou não voltam para dizer.

Tem gente indo,

eu busquei,

eu fui,

eu vou.
Ei menino branco, o que é que você faz aqui?
Está longe, numa outra estação,

buscando o que?
A paixão?
O amor?

Se a paixão fosse realmente um balsamo,

o mundo não pareceria tão equivocado.
E o amor, está nas pequenas coisas,

não nas grandezas que você deseja.
Eu,

eu sou a pátria que me esqueceu,

o carrasco que me torturou...
Sou da geração coca cola,

sou indios,

tempestade,

meninos

meninas,

mauricio

sou uma canção para um amigo morto em guerra,

sou a via lactea.
sou pais e filhos.


Crônica Mendes

sexta-feira, 26 de março de 2010

É HOJE!!!


Sua presença é fundamental.
Compareça!

A Despedida


A Despedida

O caminho está ficando curto
E quando a vida está indo por um fio
Tudo volta ao inicio
Toda ela passa diante dos teus olhos
Num segundo

O homem,
Agora criança
O valente,
Agora chora

Por que não antes,
Medo, vergonha...
E agora os joelhos sangram
O chão é o bastante
E a terra está cheia
O Corpo já foi belo
Mais agora se foi

A Despedida fria, não tem como evitar
O que nos resta é amenizar a partida
“Quanto tempo temos pra correr atrás de um sonho?”

por Crônica Mendes

quarta-feira, 24 de março de 2010

Bajulando o tempo


Bajulando o tempo

A alegria e a tristeza de mim fazem parte,
Mas eu vou partir mesmo sem elas.
E quando o dia chegar, numa noite dessas.
Eu vou poder estar longe.
Do lado da lua, na maré alta sob as ondas do mar.
Vivendo entre o agora e o depois de amanhã.
Este é o futuro mais próximo de nós.

Que varia de quando acordamos, quando insistimos em dormir, ao momento em que caminhamos com vendas nos olhos, anunciando promoções,
Nos vendendo para o paraíso, por migalhas
Ainda que o pão não mais compartilhado,
Como exemplo do que foi santo
Hoje, mastiga uma mistura de saliva com pecado.
Existe um futuro diferente para
Cada um de vocês
Cada um de mim
Cada um de nós.

O pouco sol que batiza teus olhos
É o mesmo que queima tua beleza
E te rega com violetas, ultravioletas.
Ardentes de paixão, queimando com o fogo do amor,
Há que seja banal em quanto dure,
Mas que no final seja sincero
e não deixe um bilhete sobre a escrivaninha
antes de fechar a porta.

por Crônica Mendes

terça-feira, 23 de março de 2010

Além do mar


Além do Mar

Muita vida indo embora
Pouca coisa é feita
Muita gente reclama
Poucas pessoas descruzam os braços.

Muitos estão indo
Poucos sabem de onde vem
Tudo está cada vez mais menos

Menos dias, pra uns
Menos sonhos, pra uns
Menos motivos, pra uns
Mais ainda temos muito mais pela frente.

Todo mundo torce
Mas todo mundo é muita gente
Quem vai fazer a diferença
É igual a todo mundo.

A independência nasceu morta,
Mas depende do seu ponto de vista.
A vida ta tão fria
Mas o verão é um inferno na terra

A cabeça pouco gira
Mas não alivia a guerra interna.
O coração pulsa e pula
E o sangue escorre pra fora de forma injusta

A justiça está cega e condena
O cidadão de olhos abertos, vota errado por experiência.
É muita pouca vergonha
E ainda falta vergonha na cara.

A politica não faz politica capaz,
De exterminar a fome, nem tampouco a violência.
Mas põem policia na rua, pra sem politica alguma exterminar
Nossa existência.

A politica não se polícia
Nem polícia a policia.
A periferia preferia não ter policia
Perfeito seria?

É muita, muita coisa pra se escrever,
pela frente, mas o tiro vem por traz,
e dizem que veio pedido,
mas acertou o alvo!

E quanto ao tempo?
O Tempo tá passando rápido demais".
Enquanto há tempo..
Enquanto há vida.

A vida
e a sina.
A vida continua e acaba,
além do Mar.

por Crônica Mendes

O quintal


O quintal

Quando o céu ficou escuro,
E o dia virou noite.
Ela perdeu o controle.
O chão era a cama e o mundo era seu quintal
No desgosto que sentia da vizinhança barulhenta
Ela perdeu o controle.
Sob a luz da lua, sem romantismo.
O que servia era o olhar, e saber que ainda consegue ver algo.
Isso lhe traz a sensação de que a essa altura, infelizmente ainda está acordada.
Não dorme, sonha de olhos abertos.
E perde o controle mais uma vez.
Agora tudo se junta num dia só
A sós, e para onde ir se tudo está do mesmo jeito.
O quintal está sujo
Todas as ruas e caminhos estão sujos...
e nem se pode pisar na grama
Ela perdeu o controle
Sem medo
Sem chance
Entregou-se e foi ao chão
Perdeu o controle.
perdeu.

por Crônica Mendes

segunda-feira, 22 de março de 2010

domingo, 21 de março de 2010

Inclássificaveis


Inclássificaveis

Somos
Músicos
Poetas
Atrevidos
Descarados
Amantes
Abusados
Privilegiados
Amados
Vadios
Contemporâneos
Antigos
"somos o que somos
somos o que somos
Inclássificaveis..."

por Crônica Mendes
(ao dia mundial da poesia, todos os dias)

sábado, 20 de março de 2010

Velhos Tempos


Velhos Tempos

Numa noite dessas em que a vida fica mais bela do que de dia
Quando a sensação de que o universo conspira a favor.
O ar que invade os pulmões traz o gosto de liberdade,
Faz brilhar os olhos numa lembrança infantil.

A saudade passa ser gostosa,
saudosa época dos dias de chuva como diversão,
Das pernas fortes que corriam ladeiras a baixo,
Do tombo digno de um salto olímpico.
Risos são bem vindos, faz a face se entregar às rugas sem temer.

E não querer voltar no tempo, e sim,
Sentir como é bom chegar até aqui.

Numa noite dessas em que as lembranças são o atrativo
Para seguir adiante degustando cada segundo do tempo,
transformando-o de carrasco a professor.

por Crônica Mendes

quinta-feira, 18 de março de 2010

1900 e alguma coisa


1900 e alguma coisa

Quando criança
Todo menino quer ser jogado de futebol.
Imagina o mundo redondo como a bola que rola no campo de terra seca.
mesmo de baixo de toda chuva possível.
adolescente, a bola que rola pode ser outra,
Que não rola, se passa.
E a chuva que antes era de brincar, hoje alaga e faz chorar
Quando criança a discussão passa rápido,
Não tem rancor.
Já adolescente dura um pouco mais,
Descobrindo ai o que é a vingança.
O medo de criança é bobo,
De adulto agora é covardia
Desejo é pecado
Antes era inocência.
Opinião era uma brincadeira de ‘adivinha o que pode ser’,
Agora é decisiva.
Policia e ladrão, corria pelas ruas,
E depois estavam brincando de bolinha de gude juntos.
Hoje, policia são ‘os coisas’ lá.
Os demais é nóis aqui.
Quando criança, verão tinha sol, inferno fazia frio
Outono as flores caiam e na primavera tudo ficava lindo com as cores
Da ressurreição das flores.
Hoje?
Tudo está fora de controle. Menos a tv.
Crianças, como é bom ser criança.
E hoje,
Adultos... Estamos todos adulterados,
Fora do tempo ou no tempo errado.
Desafinados, desafiados, desafiando, desalmado, mal amados.
Sem nome sem rumo. Entregue ao amanhã como
Adubo de um futuro que será das crianças
Se sobrar algo.

por Crônica Mendes

quarta-feira, 17 de março de 2010

Minha melhor poesia


Minha melhor poesia

Ontem o passado me visitou
e me trouxe um presente.
Disse que no futuro,
eu estaria recitando poesias para os cães de rua,
na madrugada sob a luz da Lua.
De fato, não recusei.
Mas isso foi ontem, já é passado,
Hoje eu vejo o futuro e penso:
Como é bom estar presente.

por Crônica Mendes

terça-feira, 16 de março de 2010

Romance de minutos


Romance de minutos

Como que se fosse numa passarela,
Ela desce toda rua
Se equilibrando perfeitamente em um salto fino e longo,
Que a deixa bem mais perto do céu.
O vento, eu invejo,
Pois este toca seus cabelos com o ar de bem vindo.
O sol tenta olhar direto nos olhos dela,
Mas um detalhe em óculos já chegou primeiro.
Um passo de cada vez,
“Linda lá vai ela.”

Ombros de fora, lábios que brilham como estrelas
Um pescoço atiçante que me faz pensar qual deve ser o teu cheiro.
Se sente leve, não pisa no chão, está sobre as nuvens,
Sua sombra, perfeita, segue exatos movimentos teus...
A descida parece torturante,
Mas ela não perde a elegância.
Os paralelepípedos, privilegiados por vigiá-la de perto,
De baixo.

Uma suave seda que cobre todo este espetáculo de mulher,
Como uma cortina vermelha clara.
Claro que pensei em abraçá-la.
Como quis que uma chuva viesse a molhar este corpo agora.
Flores espalhadas de forma desigual por toda pouca vestimenta,
Me fazem lembrar um jardim das mais belas pétalas,
De aroma sutil e marcante...

A ladeira termina,
A curva me impede de continuar sonhando.
Ela se foi,
A chuva veio.

por Crônica Mendes

sábado, 13 de março de 2010

Epilepsia


Epilepsia

Uma dose do mais puro álcool
entre o gelo sagrado no
Batizado Uísque.
Um trago da mais densa fumaça,
risca o ar
na
Perfumada nicotina corrosiva
que polui o pulmão dos dias.
e é assim,
Tudo tão rápido, como a vida que mais parce uma bituca
na boca suja do tempo.
É Tudo como uma música que completa a cada fato
uma nota que desafina, que destoa da orquestra.
Um conflito interno intenso,
suave aos olhos de quem vê
poucos segundos antes de tudo isso transbordar pelos olhos, repentinamente. como a luz breve do vagalume.

Sinto que vou me debater assim que for ao chão
mas não me deixe aqui.
Entre náuseas e esquecimento,
entre a dor e a falsa alegria,
Essa febre efêmera que não quer me deixar.
Quase nem me sinto, e sei que isso é o efeito colateral de tanto fármaco.
Outra dose do mais belo álcool,
mais um trago.
Deixa tudo no ar...
Isso continua...
Isso daria uma bela canção dos anos 70.
ou um poema que cai no esquecimento.

por Crônica Mendes e Sérgio Vaz

Jornal Sem Terrinha


Jornal Sem Terrinha
A informação não tem tamanho

por Nina Fideles

A proposta do Jornal é servir também de subsídio aos educadores que atuam nas escolas em acampamentos e assentamentos do MST. A tarefa é difícil, pois contemplar os temas que propomos em pouco espaço, considerando todas as faixas etárias... vô falar...

Mas acredito que temos cumprido com a missão. Não de dar respostas, pois não é pretensão nossa fazer isso, mas sim de instigar debates, abrir o espaço para a produção e diálogo dos próprios Sem Terrinha. Os limites são diversos, avançamos bastante nestes quase três anos de Jornal, mas ainda há muito o que fazer. Com e para os Sem Terrinha! Mãos à obra!

Baixe o arquivo AQUI.

Está notícia tem como fonte o blog da jornalista Nina fideles
(www.ninafideles.blogspot.com)

Óbvio


Óbvio

Não dá pra dizer que foi por acaso,
afinal, não tenho caso algum.
Sou por inteiro de livre espontânea vontade,
ainda que sempre me falte palavras certas para a poesia perfeita.
Sendo assim, me conforto com meu tentar, buscar...
Só não quero o "quase lá"
Não, não me venha com esse olhar de que sim, podemos ser perfeitos.
Eu não quero.
Ser perfeito é chato, não tem graça.
E como nada é de graça nessa vida,
vamos aproveitar tudo isso e rir, mas rir com a vida,
não dela.
Está tudo se formando pela esquina,
não podemos mais virar ali.
Isso num vira.
Agora estão querendo delimitar até onde podemos ir.
Eu digo:
Eu vou longe.
Quem quiser ir, aconselho que não me siga.
Faça seu próprio caminho.
As células partem de diferentes pontos,
partem e fazem parte de um todo.
...Como não escrevi sobre isso antes,
parece tão óbvio.

por Crônica Mendes

quinta-feira, 11 de março de 2010

O nascimento

Nasci perseguido pela pressa e estancado pelo choro.
Quando meus olhos ganharam o mundo,
logo o mundo se fez de sílabas e cores que me faziam rir.
Com o passar dos dias fui me sentindo em casa, mesmo estando estranhamente cercado de figuras e figurinhas, que se destacavam ao longo dos anos.
Sempre imaginei as maravilhas dessas figuras e figurinhas, como se fossem um almanaque de aventuras. Mas como é preciso seguir em frente, tudo foi se esclarecendo em preto e branco.
Nada de colorido, nada de maravilha, nada de almanaque. Figuras e figurinhas caindo, pura vida real.
Mas eu preciso crescer, criança não vive, apenas sonha.
Então, que cresçam logo as crianças.
Conhecer o mundo, descobrir o Brasil...
E agora, o que é que eu sou?

Quando criança a gente sempre fantasia o futuro...
Carros que voam, cura de doenças...
Quando adulto, conhecemos o futuro...
Guerras, novas doenças, e um futuro novo criado ainda mais longe.

Mas crescer em meio a tantos futuros, acaba se tornando um presente amargo.
Diante disso, deixo o passado lapidar o Hoje, para que amanhã eu possa continuar sonhando.
Me sinto em contradição neste exato momento e me permito sonhar como homem, ainda que a criança em mim não morra diante de minha velhice.

Nasci perseguido,
Cresci mirabolando a vida.
Vivo sonhando no apetite de lutas entre os dias

Hoje, já sendo alguém, continuo sendo perseguido por causa de minha fala. E quando percebo o tempo que passou, me vejo a perguntar:
Quanto tempo temos?
Feto perseguido, amargo sentido por cordão umbilical, toda droga da realidade que entristecia minha mãe. Isso me causava pressa.
O vômito não era meu nojo, era o caos.
O enjôo, não era minha culpa, era resultado da atmosfera e decomposição.

Será que já nasci ou continuo no útero brincando de ser grande?
Será que somos nação ou continuamos brincando de ser soldados?

Tenho janeiros e janeiros, dezembros e dezembros, mas não tenho as chaves dessas portas que todos falam que devem se abrir.
Seguindo,
assim eu fui seguindo...
Viver o sabor da infância, sobreviver as frustrações da juventude e amadurecer com o tempo, sem deixar que ele apodreça minha memória e meu coração.
Seguindo,
assim eu vou seguindo...
Ser grande nem sempre é ser humano, mas que cresçam logo as crianças, mas não creçam antes do tempo.

por Crônica Mendes

Ampulheta


Ampulheta

Não perco
A cabeça,
Mas ás vezes perco
O chão,
E quando penso em tudo que já fiz,
Perco
Os sentidos,
Mas não perco
A noção.

por Crônica Mendes

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ode à poesia


Ode à poesia

As poesias são pessoas,
As pessoas são poesias.
Mas quando mal amadas,
As pessoas nada são,
Quando mal expressada,
A poesia é
Em vão.

As pessoas fazem poesia,
E as poesias fazem pessoas.
Mas quando as pessoas nada fazem,
De braços cruzados a vida não segue.
Quando as poesias são vazias
A vida perde o sentido,
Percebe?

A poesia e as pessoas,
A vida e os sonhos.
A realidade e a sobrevivência.
A poesia se faz plural ainda mesmo escrita no singular.
A poesia que há em nós,
É o oxigênio que alimenta os corações do mundo.
É o sentido maior
a nos mover.

por Crônica Mendes

terça-feira, 9 de março de 2010

Leia-me


Leia-me

Um amigo certa vez me disse
Quando a gente nasce,
Nasce também um livro.
Em cada pagina, um dia.

Logo de cara
A capa é dura
Nada em branco,
Alguns trechos já estavam lá
Antes mesmo de você
E eu.

A cor da escrita não é a mesma
Que a dos teus olhos.
Mas as lágrimas que o molham
São as tintas que o descrevem.
Em cada parágrafo

Uma forma de se expressar
E cada expressão errada,
Nada de borracha
O dia longo
E a vida é elástica.

Teus subtítulos são os que vêm e vão pra você
Seja algo ou alguém
As observações,
Observa-se que são nada demais.

Não tem segredo
Nada está sublinhado,
Nem encostado.
Como a vida é longa
A história às vezes cansa
E se aposenta.

Mas a escrita continua,
Narrando o “depois disso”
Se tiver algum problema com isso
Vire a pagina.

Não se perturbe, nem pontue tudo que tem de fazer
Deixa a vida escrita fluir.
Leia o dia a dia e compartilha isso,
socialize

Comunique-se...
Não fiquei esquecido
no canto da vida
no canto da estante.

Procure-se
Se encontre
Leia-se

por Crônica Mendes

A todos os Djs

Hoje, 09/03
Dia Internacional do Dj

Foto de Nina Fideles

Lembrando que:

A fábrica de Vinil (LP) voltou! Compre Vinil!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Gog, é HOJE!


Caminhando.

O homem caminhando,
vindo do deserto que virou cidade.
Desbravando a cidade prestes a virar deserto.
Em meio ao cinza da selva sólida sem vida, rasgando o céu.

Onde os sentimentos são perfurados por vergalhões três oitavos,
ora por fragmentos de chumbo 38 e outros.
O homem com a palavra.
A palavra livre que aponta em ponta lápis,
talvez o que seria a saída ou sua preferida válvula de escape.

O homem da fala por muitos...
...E a Bíblia tinha razão...

Escrever a história, cantando poesia.
Ensinar sem saber de tudo...
Chorar, Suportar,
Vencer, Superar.

Seguir em frente com as cicatrizes de sempre,
por que o novo sempre vem,
e é preciso se fazer presente.

Vivo a tantos janeiros.
menino há tantos dezembros.

Ninguém suporta carregar a dor da cruz dos outros
E mesmo que não haja cruz alguma,
ninguém suporta
e quem si importa?

O homem,
a vogal entre as duas consoantes.
O equilíbrio quem nem sempre emocional
O equilíbrio em reconhecer o mundo a sua volta,
e suas constantes mudanças e infinitas diferenças.

Um homem e suas lutas,
suas palavras e sua busca.
O homem caminhando,
construindo pontes,

Ao longe,
Boa noite.
Amanhã começa tudo de novo,
pois é preciso continuar caminhando.
PARABÉNS pra vc!

por Crônica Mendes

Hoje e sempre!

BENÇA MÃE!
Amo-te

por Crônica Mendes

Mulheres de todos os dias


Mulheres de todos os dias

Querem o que?
O que querem?

Sua força e sua luta.
Eu compartilho.
Sua beleza, sua coragem.
Admiro.
Seu amor, seu afeto.
Eu sinto.
Seu choro, sua lágrimas...
Desculpe-me.
Seu corpo sua alma.
Invejo.
Sua Perfeição, seu carisma.
Eu respeito...
Você é tudo que de bom a vida pode ter.
Você é sua.
Só você.

O mundo que te persegue,
é o mesmo que te inveja.
O homem que te espanca,
é o mesmo ingrato que te deseja.

Quem não te ama, não merece tuas lágrimas.
Quem não te respeita não merecer seu carinho e atenção.
O mundo é seu Mulher.
E ele tem medo que você descubra isso.

Viva Mulher!
Te amo mulher,
por todos os dias de minha VIDA!

Ó Vênus.
Ó Deusa.

por Crônica Mendes

Maria que pariu


Maria que pariu

Te dou minha vida,
Faça dela o que tanto quis fazer com a tua.
Te dou minha vida,
Mas não atire, nem tire ela de mim.
É tua o que há tempos não é minha.
Sou meu,
Meu dono.
Sujeito simples,
Humilde abençoada.
Te dou minha vida,
Com lágrimas nos olhos,
Sem dor no coração.
Mas não a trate como se fosse tua,
Pois te dou a vida,
Mas não estou lhe dando a alma.
Te dou a minha vida,
Mais não a cria pro mundo,
Pois o mundo é impróprio
E o mesmo cria o que precisa pra si.
Te dou a minha vida,
Vá filho,
Vá viver a tua.

por Crônica Mendes

sábado, 6 de março de 2010

A Estrada


A Estrada.

O medo nasce de sonhos adormecidos,
E quando os sonhos acordam
Dão medo.
Medo do que está por vir, ou do que um dia foi.
O dia,
Um dia nunca basta, sempre tem outro por vir.
O outro,
Outro que nem sempre lhe fará bem,
O bem,
Mas também quem nunca se sentiu mal com alguém.
Alguém que te fez ser o que não queria,
Ou dizer o que não queria.
E o que você quis,
E agora o que você me diz?
Quem liga pra isso.
O mal,
Talvez um estado de espírito,
Ou um descontrole interno.
Internamente, quem não mente pra si,
Talvez não minta pra mente alguma.
E quando está longe, numa viagem interna,
Um som qualquer pode te trazer de volta a cena
Em cena,
encenando sem ensaio durante a semana, aquela mesma cena.
repentina, corriqueira...
Insatisfeita, melancólica.
A cena que não dá dinheiro vivo a ninguém.
Cena triste, cena mal escrita, inaceitável,
Por quem é da família
Família,
Um encontro de amigos em gerações distintas e conflitantes.
Sempre tem um “não é mais como antigamente”
E antigamente não era mesmo assim.
O medo de não ser atual,
Atualmente atua em tua mente.
E os opostos seguem se distraindo e destruindo, traindo, caindo
Vindo.
E o dispostos segue atraindo, se contraindo, divertindo...
Se permitindo,
Indo...
Eu sigo.

por Crônica Mendes
(inspirado pelo texto Solidão de autoria Sérgio Vaz)

sexta-feira, 5 de março de 2010

HipHop Nacional, vamos ouvir!


E dizem que o homem morreu, mas tenho uma sensação de que essas palavras são como que se fossem direcionadas ao Hip Hop Nacional em pleno século XXI, ano 2010. Aos que estão confusos ou debatendo e debatendo-se por ai, escute e reflita por alguns minutos, horas... ou o tanto que for necessário.

por Crônica Mendes

quinta-feira, 4 de março de 2010

Nossas Frases


Frases que marcaram nossa música.

Malandro é malandro, mané é mané.
Malandragem de verdade é viver.
Periferia é periferia em qualquer lugar.
Sou príncipe do gueto e meu castelo é de madeira.
Toda Rebeldia tem seu preço.
Pois o inferno é aqui não existe outro lugar.
Assim que é, sem proceder não para em pé.
Vamo que vamo que o som não pode parar.
Brinquedo Assassino não sai da minha mente.
Isso aqui é uma guerra.
Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci...
Din din don, o rap é o som.
Rap nacional é coisa séria.
É o terror é terror, rap nacional é o terror que chegou.
O rap é compromisso, não é viagem.
Um bom lugar se constrói com humildade.
Não confio na polícia raça do caralho.
Feio esperto com uma cara de mal, a sociedade me criou, mais um marginal.
É o respeito que prevalece sim.
Sei que não é fácil ser Homem de aço.
Racistas otários nos deixem em paz.
1, 2, 1,2 ae ninguém se mexe.
É hora de acorda.
Vários botecos abertos varias escolas vazias.
Os manos pow as minas pá.
Eu to com o microfone é tudo no meu nome.
Sou negão hei, sou negão hou.
Todo menino é um rei.
Qual a diferença entre o charme e o funk.
Aqui a visão já não é tão bela
Não importa se chão de terra tem poeira, realizei meu sonho meu castelo de madeira.
Se tu lutas tu conquista é tipo, se tu lutas tu conquista tipo essas, se tu luta tu conquista vai vendo, povo brasileiro sofredor bom exemplo.
Olho por olho dente por dente.
Essa é a vida de muito em São Mateus.
Foda-se as críticas e seus poderes.
Mãe chorando, irmão se matando, e eu pergunto até quando.
Não saia da escola porque perderá o brilho.
Lá se vai o dia o sol se põe trazendo inspiração a esse irmão que compõe.
Deus ilumine o paraíso da criança.
...

Faltou alguma?

Futebol de Periferia


Salve Geral!

É com muito orgulho que apresento a vocês a Sociedade Social Esportiva Castelinho, ou simplesmente S.S.E.Castelinho. Um grande time de futebol, da quebrada do Santa Clara em Hortolândia. O time reúne jovens e crianças da periferia, mostrando seu talento na mais pura arte de rua, o futebol nosso de cada dia. Com a iniciativa do meu grande amigo W.west, o Castelinho tem sido motivo de orgulho para mim, e com certeza para todos os familiares envolvidos nesse projeto maravilhoso. Já jogamos até contra o Barcelona, vai vendo. Estou tão empolgado que penso em me arriscar numa dessas partidas dessas do Castelinho. rs!

SELIGAI: www.ssecastelinho.blogspot.com

Sociedade Social Esportiva Castelinho.
Futebol se aprende na escola da vida, a RUA!

Com o coração pulsando cada vez mais eu digo:
"Nas periferias do Brasil eu acredito"
Crônica Mendes

quarta-feira, 3 de março de 2010

Do For Love


"Entre tantos aspectos que o clipe trata, um deles é a solidão das pessoas em São Paulo, num vai e vem cheio de saudades, sem notar a importância dos pequenos detalhes, um bom dia, um abraço, ou apenas um oi como vai você..."

por Crônica Mendes

segunda-feira, 1 de março de 2010

Vilarejo Íntimo


Vilarejo Íntimo

A luz elétrica vai embora as dez horas da noite em minha aldeia
Vai também o desejo dos meus olhos em persistirem abertos
Entro então na fabricação de frágeis pecados em tua honra
Sobe feito planta parasita pelo meu cérebro...

O contorno dos teus lábios pelos meus imaginares
Frases tuas de insuportável beleza
nesse escuro que vem sempre, e eu aguardo confessadamente
Em temperaturas descontroladas nesse breu...

Quando levam embora a claridade do mundo lá fora, eu te guardo
Como uma fêmea prenha no tremulo fosso, do meu umbigo rosado
apenas prometa-me amor discreto e agudo
quando novamente voltarem as luzes

Fernanda Porto.
Obs: Gosto muito!

A Chama (para Luiz Carlos da Vila)


A Chama (para Luiz Carlos da Vila)

Teu lugar ao lado do criador,
A conquista,
Tua glória
vem de raiz.
A música,
na construção deste pilar chamado AMOR.
O que nos sustenta em crença de dias
bem mais felizes.
Te ouço sempre, pela manhã
como um hino.
Minha inspiração vem de simples versos
tais como os teus e o do mestre.
No terreiro nosso de cada dia
a cantar a alvorada, a noite, a luta, os morros,
os sonhos, a lua, os poetas, vidas por ai a fora,
a dentro.
Pelo bem dessa gente nossa em comunhão
natureza e ser humano.
Eu, com o coração aquecido pela Luz do Vencedor
digo:
“A chama não se apagou
Nem se apagará”
é preciso seguir em frente,
e jamais esquecer quem somos.

por Crônica Mendes
Clique AQUI e faça o download da música Luz do Vencedor (Luiz Carlos da Vila e candeia)

Ninguém foge da escrita


Ninguém foge da escrita

Dentro de uma gaveta quando você puxa
Ela sai.
Debaixo da cama do lado do chinelo de correia azul
Ao calçar entre os dedos,
Ela escapa pelo mindinho.
No ônibus,
Quando você olha pela janela
Nos muros, nos papeis entregues a você
Enquanto passa no meio da multidão.
No anuncio de bar
Ou num olhar qualquer a sua frente,
Ao lado... Ou quem esta vindo.
No parachoque do caminhão que passou,
Já foi...
No vidro do carro,
Dizendo algo engraçado, trágico.
Se não fosse cômico.
Aqui, bem aqui perto de você.
Nas bancas, entre as revistas.
Nas mensagens que chegam ao teu celular
Nas nuvens, onde você vê
E costuma brincar.
Procura-se
O que você pode enxergar?
Na carta que você recebeu semana passada.
Na resposta que ainda não retornou.
Leva saudade e traz conforto,
Quem tentar fugir,
Chama-me para escrever sobre a fuga inútil.
Virou a esquina e não viu ninguém,
Mas leu sobre a vida de antes
E de agora.
Não pode ser coerente, não tem o domínio.
Então se calou para não ser refém do que disse antes.

por Crônica Mendes

Gêmeos


Gêmeos

Não foi eu quem disse isso.
Foi tudo que li
Antes de escrever o rascunho da minha vida inteira, em apenas dois parágrafos.
Mas tudo bem, amanhã é outro dia...
Uma pagina em branco é tudo que preciso agora,
Para escrever um novo jeito de dizer:

“Desculpe-me por não ser o que você
tanto quis que eu fosse.”

Meu riso, incomoda mais que minha lembrança.

Tolo, acreditei que as diferenças são necessárias.
E para crescer e aprender com elas,
Fui capaz de ser tão diferente, que me tornei você
Isso fez de mim um gigante ilusório.
Onde os pés estão no céu
E a cabeça está na terra.
Tive de sobreviver esse tempo todo
Entre ser eu e ser você
Fui carrasco de mim mesmo,
Mas lucrei com a experiência

por Crônica Mendes