segunda-feira, 27 de agosto de 2012

1999 - Os heróis sem poderes

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1999 - Os heróis sem poderes
(poesia inédita)

O universo é este que habita o peito, num sentimento profundo onde o medo e curiosidade ecoam. Viver num tempo de glória sem se importar com o depois. Deixa isso pra lá, o agora é aqui.
Os vilões da época tinha vez que era o Sol, tinha que vez que era a chuva... Noutros dias os vilões eram os heróis. Vai entender essa vida, até chorar tem dois lados...

Tudo começou quando...

O Jubão era o menino do quintal de grama.
O Marelo e o Lukinha eram os mestres dos brinquedos.
Welder o menino do som.
O Serginho era aquele que tinha a irmã mais bonita.
O Fernando ero o cara do vai e vem, o idéias.
E eu, eu era apenas o sonhador que brigava com a realidade. Nem ouso em me comparar a Don Quixote, mas tive minhas brigas com os moinhos de ventos que tentavam tomar meus amigos.

Era uma vez eu, uns garotos da minha rua e uns garotos da rua de baixo. Parecia que não tínhamos donos, mas mamãe sempre dava as ordens, mas isso era bom, bom frigir aquelas ordens, horários, lugares, pessoas... Estávamos fora do tempo o tempo todo. Nada era mais importante do que conquistar novos quintais com novas histórias pra contar depois na roda da fogueira para impressionar as meninas, mesmo sendo mentiras, elas eram tão elegantes que fingiam acreditar em nós. Tinham até perguntas demonstrando interesse.
1999 o ano dos prazeres, ladeira abaixo lá vamos nós. Os heróis sem poderes.

Não tínhamos um lugar secreto onde nos reuníamos, as ruas eram de todos. Mas a seis e a quarto eram mais nossas. Sempre tinha alguém querendo ser um de nós e nós querendo ser alguém. Éramos selvagens, desbravar o mundo ao nosso redor era como conhecer o céu sem deixar os pés no chão, era um salto de felicidade.

Hoje, não sei onde estão os heróis... Mas sinto que cada um se tornou um universo, universo este que habita o peito, onde ninguém jamais irá nos derrotar. Somos vilões do tempo, heróis sem poderes.

Crônica Mendes

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