segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Transpiração


Transpiração

O calor satura os pensamentos
Estou flagelado
Andando desnudo num apartamento
No décimo quinto andar
de uma rua sem ninguém, sem vizinhos e sem pássaros

Meus passos agora são o som mais familiar que tenho
Os demais estão quietos.
Evitam se mexer para não esquentar,
E dizem:
- Não esquente a cabeça.

Não estou só com a cabeça,
O corpo todo está quente.
Assim é melhor permanecer frio?
Que frieza!

Meu suor me incomoda,
Estou inquieto
Tentando escrever algo sobre um amor de verão,
Mas estou castigado, sem inspiração.
Só transpiração
Transpiração

por Crônica Mendes

Crônica de uma morte anunciada (a minha)


Crônica de uma morte anunciada (a minha)

A morte anunciada
A beira do caos antigo
O calor que condena, antes era bem vindo.
Sob a chuva de outrora.
O corpo pede água
Há horas

A crônica de uma vida toda
Numa poesia simples de um instante comum
O prego dos pulsos
Não segura o grito de dor da garganta
Então, corta-os,
Mas saiba que anunciar uma morte
Pode gerar renda
Menos pra você.
Afinal, do que você precisa?
Não deu tempo de voltar pra casa
A rua te pegou ‘pa’ cristo

Lembra que era um dia daqueles
Um dia perfeito,
Mas que não terminou bem
Por que tudo estava fora do lugar ao meio dia e um
O jornal, não foi sábio,
Delatou antes do tempo
Agora leia só pra si
A crônica da morte anunciada de minha autoria
Ainda vivo

por Crônica Mendes

Milho aos pombos


Milho aos pombos

Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí
queimando pestanas organizando suas batalhas
Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas
mortalhas
A cada conflito mais escombros
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
dando milho aos pombos
Entra ano, sai ano, cada vez fica mais difícil
o pão, o arroz, o feijão, o aluguel
Uma nova corrida do ouro
o homem comprando da sociedade o seu papel
Quando mais alto o cargo maior o rombo
Eu dando milho aos pombos no frio desse chão
Eu sei tanto quanto eles se bater asas mais alto
voam como gavião
Tiro ao homem tiro ao pombo
Quanto mais alto voam maior o tombo
Eu já nem sei o que mata mais
Se o trânsito, a fome ou a guerra
Se chega alguém querendo consertar
vem logo a ordem de cima
Pega esse idiota e enterra
Todo mundo querendo descobrir seu ovo de Colombo

Zé Geraldo

Minha palavra: Ouçam e leiam Zé Geraldo

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Infinito coletivo


Infinito coletivo
(continuação do Sagrado Coração)

Janelas abertas, flores no nascimento,
Não na morte.
Sem muros, sem esquinas.
Sem curvas onde olhos não podem ver

As portas não são portões
A entrada não é franca,
É sincera.

O bom dia é dito até mesmo aos pássaros
A resposta é uma linda canção

“Sayin',"This is my message to you"
Saying don't worry about a
'Cause every little thing
Gonna be all right”

O transporte são as pernas, os pés,
Com saúde, se vai onde quiser
os vizinhos, são conhecidos.
Ninguém está longe de casa

Esta manhã tive esse desejo,
Encontrar,
Ou construir este lugar

por Crônica Mendes

Me fale do sagrado coração


Me fale do sagrado coração

Lá, distante daqui,
Onde o mundo é mais bonito
E não existe nada que possa estragar o céu

Lá, é onde tudo pode ser como quiser,
Não tem por que ser igual,
A igualdade é uma mentira.

As crianças estão livres
podem ser crianças sem medo de ser gente grande.
O tempo não destroe,
Apenas te ensina

As portas estão abertas,
Não é uma oportunidade
É seu direito
É pra você.

“Vamos fugir, pra outro lugar baby...”

por Crônica Mendes