quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Nasci criança, cresci um monstro e me tornei homem em meio guerra


Crônica Mendes - Meu nome e sobrenome - parte Bíblia, metade Mater.

Nasci no sertão baiano, filho de Isabel Mendes e Isabel Mendes. Cresci junto e na cidade grande, conheci São Jorge quando descobri que eu era gente. Desde então nunca mais nos separamos, estamos nos corações de ambos.
Conheci a guerra, sobrevivi até agora.
Conheci o que é a solidão, e escrevi muito sobre isso.
Descobri o mundo e o mundo tentou me esconder nas margens da sociedade... Eu gritei, mandaram me calar e fui obrigado a saber o que é política, ainda com o subtítulo de "Boa vizinhança".
Conheci e descobri pessoas incríveis, fantásticas, belas, ímpares, únicas, sensatas, íntimas...
Não fiz nenhum amigo.
Já os encontrei feitos.
Rs...
Ouvi dizer sobre o amor, escrevi sobre ele, cantei sobre ele, fiz tanto sobre eu e ele.
Até que conheci o amor em forma de meNina/mulher avante, livre, puro ou pura.
Brasileira, linda mente brasileira - brasileiramente linda.

Hoje, sou 29 caminhando pra despedida da vigésima casa e seus complementos.
Sou compositor.
Sobre o que escrevo?
Sobre você quando chora, sobre você quando ri, sobre eu quando choro, sobre eu quando rio.
As vezes sobre nós todos de uma vez só - É tão intenso e mais emocionante quando a música ou a escrita feita de forma íntima toma proporções coletivas. Somos todos íntimos.
Sou um rapista.
Faço denúncia, acredito em soluções.
Faço crítica, acredito nas pessoas.
Canto aos corações turbulentos e inquietos - Faço da minha voz, a sua, quando estou nos palcos e agora mesmo.
Eu poderia escrever sobre como eu comecei a fazer música, ou sobre meu grupo de rap "A Família", mas não quero fazer isso agora. Depois eu respondo se for o caso.
Neste momento eu quero apenas me entender melhor. Estou escrevendo o que está sendo criado em minha mente neste exato instante...
Tenho uma família, que por mais que às vezes fico longe, eu os amo como se fosse a primeira vez.
Tenho amigos que "não são fáceis de se gostar" mas são amigos e não têm culpa disso.
Tenho tantas músicas e a melhor é sempre a próxima.
Tenho espaço, tenho voz, tenho corpo, mente e alma.
E ainda quero mais.

Minha música é minha lingua, minha pátria é minha lingua.
Meu mundo é meu.
Meu dono sou eu.
Minha música já não é mais minha há tempos.
Minha vida, nunca foi minha.

Mas faço de tudo isso, instrumento de mudanças,
amanhã os frutos serão colhidos. E eu tenho que semear o que de bom há em mim.
Faça o mesmo.
Do for Love.

Iniciante: Crônica Mendes
obs: este foi meu 1º texto publicado no lançamento deste meu blog

Um comentário:

Samanta Paloma Biotti Neves disse...

História de vida compartilhada, muito bom. Valeu por postar novamente.

Abraço
Muita Paz!