sábado, 15 de janeiro de 2011

Apertado


Apertado

Às cinco da manhã,
Saio apertado de uma noite de sonhos
atordoados.
Um gole de café, frio, de ontem
desce apertando a garganta.
É muito cedo, mas
O tempo me aperta,
Estou atrasado.
No ponto em ponto,
subo no ônibus, apertado.
Chego com o tempo cravado.
Durante todo dia, me aperto para cumprir
a meta do “necessário”.
Mesmo apertado, o tempo é precioso,
não permite minha ida ao banheiro.
Pouco tempo depois, hora do almoço.
Lugar apertado, minha marmita pequena, apertada,
entre arroz feijão e mais nada.
a dor me aperta o estômago.
Já são 18 horas, mas estou aqui a 12.
Me apertando para construir o que não será meu.
Eu vou voltar, novamente apertado,
Estamos todos apertados como sardinha enlatada.
Chego as 21.
Num cômodo apertado.
Um beijo na família, um banho no corpo,
Um aperto no coração...
Me aperto para dormir, me aqueço.
Depois, no dia 30, as contas me apertam...
me sufocam, querem me matar
querem que eu me mate.
Me apertam
para eu aperta o gatilho.
Me apertam,
não me querem aqui.
5 da manhã, outra vez,
Domingo.

por @cronicamendes

3 comentários:

Brunão Mente Sagaz disse...

Aeh! como sempre Crônica evoluindo nos seus estilos de composições, leio me surpreendo pois és um das minhas inspirações!

Angelina Miranda disse...

Como as palavras dançam em sintonia nesse poema.
É o aperto físico e emocional...Gostei, parabéns!

@Tallyta53 disse...

É o cotidiano da maioria dos paulistas, dos brasileios .. Crônica sempre realista