quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A menina interrompida


A menina interrompida

Cansada de me acusar por seus enjôos e cólicas,
Achou melhor que fosse assim.
Mas não tenho culpa,
Achei que traria alegria.

Mas tudo que ouvi e senti desde que cheguei aqui,
Me faria chorar, se eu pudesse.

Talvez não tivesse espaço para mim,
por isso me apertavam tanto.
Ou talvez faltasse água
por isso me fizeram engolir aquele líquido amargo.
Ou talvez até tivessem preocupados comigo,
e me tiraram.
Mas não me olharam
Nem se despediram
Me jogaram.
Sem ao menos um beijo
Sem ao menos "eu te amo."

por Crônica Mendes

3 comentários:

vato disse...

me lembrei do som do cambio negro diario de um feto!! fiko zika memu

AnaCarolinaMiskalo disse...

Sempre se superando...

Muito bom esse texto.

Angelica Nascimento disse...

Tocante esse poema Crônica.Talvez um bebê ou feto pudesse falar diria tudo o que foi dito.