quinta-feira, 31 de março de 2011

Poema inédito


Poema do submundo

Minhas ruas são longas
ainda de terra.
Dias sofrendo com a chuva
Noutros lamentando a ausência dela.

As curvas ou esquinas são de ninguém
cada dia que passa, gente nova por aqui tem.

Os fios de alta tensão,
só aumenta a tensão
Não traz força, nem energia por aqui não.

O gato é comum
não importa a cor
Está em toda parte
Leva luz, leva água, leva solidariedade.
Os pés correndo por aqui,
ora descalços, de chinelos, ora de botas pretas
Até o barulho das botas é diferente
Traz medo, leva gente.

Minhas ruas são longas,
mas tem trechos que mas parecem trilhas
Nem sempre a luz brilha
Principalmente quando alguém grita
Dia seguinte, a notícia, a tristeza
a vítima.

Era da mesma classe que eu,
Escola fechada, livro fechado
Mente aberta pensando no que aconteceu...
Mas um dia comum?
O que sobrou de nós para nós mesmo?
Podia ser um sonho, mas é de verdade o pesadelo.

por Crônica Mendes

3 comentários:

Roberto du Vale disse...

Kra vc é um dos melhores, gostaria de saber se qr fazer parceria, se tiver interessado entra no meu blog e deixa um comentário, valeu e fica na paz de Deus...

www.blogduvale.blogspot.com

Petter MC disse...

Eh mano... vc sempre mandando bem, representando o melhor da poesia periferica, marginal. eh noiz.

Bárbara Fragoso disse...

Palavras que não mentem suas idas
Muitos passos, calçadas e avenidas
Você não fica mudo
Vejam: "Poema do submundo"!